domingo, 14 de outubro de 2012

Solidão - cont.

Hoje ela me acordou as cinco da manhã perguntando o que eu tava fazendo. Acordei um tanto confuso e perguntei se estava louca... ela caiu para o lado e começou a chorar... o teste havia dado positivo... a única coisa que me ocorria naquele momento era abraça-la e beija-la. Não foi dificil contar aos meus pais, nem aos pais dela, a notícia da gravidez foi acolhida com comemoração. Eu aceitei naturalmente embora não estivesse nos meus planos do momento; contudo aceitar essa gestação implicou em mais coisas do que eu imaginava que implicaria. Eu me lembro de quando a vi pela primeira vez, da forma como nos olhamos... dos olhos grandes dela, curiosos e assustados. Lembro de como o acaso pareceu favorecer nosso primeiro beijo, e de como fechei os olhos agradecendo pela primeira noite que fizemos amor. A partir daquele dia, eu a veria todos os dias...

Agora ela dorme tranquila, embalando nossa criança no ventre e nos sonhos; mas para mim a noite reservou a solidão.. eu me sinto tão só... só por que minha própria mortalidade se fez tão evidente... por que minha função biológica se cumpriu e agora eu não sou eu, mas apenas mais um elo na cadeia das gerações que começa a florar para um novo começo que será além de mim mesmo, por si só.

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